Parametrização e Ensaio de Relés de Proteção
Parametrizamos e ensaiamos relés de proteção com mala de teste por injeção secundária, ajustando as funções ANSI (50/51, 87, 27/59, 67, 81) a partir do estudo de coordenação e seletividade e do estudo de curto-circuito — validando os tempos de atuação e entregando relatório técnico e ART em todo o Brasil.
Relés de proteção: o cérebro da seletividade elétrica
O relé de proteção é o dispositivo responsável por monitorar continuamente as grandezas elétricas de um circuito — corrente, tensão e frequência — e por comandar a abertura do disjuntor sempre que detecta uma condição anormal, como um curto-circuito ou uma sobrecarga. Ao isolar rapidamente o trecho defeituoso, o relé limita os danos aos equipamentos, reduz os riscos de incêndio e arco elétrico e mantém a continuidade do fornecimento nas áreas saudáveis da instalação.
Para que essa proteção funcione com precisão, não basta instalar o relé: é preciso parametrizá-lo corretamente e ensaiá-lo. A parametrização traduz os resultados dos estudos elétricos em ajustes concretos no equipamento, e o ensaio com mala de teste comprova que cada função atua no limiar e no tempo esperados. A IFELL Engenharia executa todo esse ciclo, do estudo à validação em campo, com responsável técnico registrado no CREA-SP.
O papel do relé de proteção
A função primária do relé é detectar a falta e comandar o disjuntor que efetivamente interrompe a corrente. O relé recebe os sinais dos transformadores de corrente (TCs) e de potencial (TPs), compara as grandezas medidas com os ajustes programados e, ao identificar uma condição fora dos limites, envia o sinal de trip (disparo) para o disjuntor correspondente.
- Monitoramento permanente de corrente, tensão e frequência do circuito protegido;
- Comparação das grandezas medidas com os limiares e curvas parametrizados;
- Comando de abertura do disjuntor (trip) ao identificar a falta;
- Registro de eventos e oscilografia para análise pós-falta;
- Sinalização de alarmes e bloqueios para a operação e a supervisão.
Parametrização: do estudo aos ajustes do relé
A parametrização é a etapa em que os valores de ajuste são inseridos no relé. Esses valores não são arbitrários: eles derivam diretamente do estudo de coordenação e seletividade e do estudo de curto-circuito, que determinam as correntes de falta em cada ponto da instalação e a ordem em que cada proteção deve atuar. O objetivo é garantir que apenas o dispositivo mais próximo do defeito opere, preservando o restante do sistema.
Insumos da parametrização
- Correntes de curto-circuito trifásica, bifásica e fase-terra em cada barramento;
- Curvas tempo-corrente coordenadas entre os relés a montante e a jusante;
- Relação dos TCs e TPs e classe de exatidão dos transformadores de instrumento;
- Correntes nominais, de partida e de magnetização dos equipamentos protegidos;
- Requisitos de seletividade e de tempo de eliminação das faltas.
Ajustes inseridos no equipamento
A partir desses insumos, são definidos os valores de pickup (corrente de atuação), as curvas de tempo (normal, muito ou extremamente inversa, ou tempo definido), os múltiplos de ajuste e as temporizações de cada função. Cada relé recebe um conjunto de parâmetros próprio, alinhado à sua posição na cadeia de proteção e ao estudo de seletividade da instalação.
Principais funções ANSI ajustadas
As funções de proteção são identificadas por códigos numéricos padronizados pela norma ANSI/IEEE C37.2. Conhecer essas funções é essencial para entender o que cada relé está protegendo e como ele foi parametrizado. As principais funções ajustadas pela IFELL são:
- 50 — Sobrecorrente instantânea: atua sem retardo intencional para faltas de alta corrente, isolando curtos-circuitos severos imediatamente;
- 51 — Sobrecorrente temporizada: opera segundo uma curva tempo-corrente inversa, permitindo a coordenação seletiva entre os diversos níveis de proteção;
- 50N / 51N — Sobrecorrente de neutro: protege contra faltas à terra, detectando a corrente residual de neutro instantânea e temporizada;
- 87 — Proteção diferencial: compara as correntes que entram e saem de um transformador, barra ou gerador e atua quando há diferença, indicando falta interna na zona protegida;
- 27 / 59 — Subtensão e sobretensão: protegem cargas e equipamentos contra níveis de tensão fora da faixa admissível;
- 67 — Sobrecorrente direcional: identifica o sentido do fluxo de corrente de falta, essencial em sistemas em anel ou com múltiplas fontes;
- 81 — Proteção de frequência: atua em condições de sub ou sobrefrequência, importante em sistemas com geração própria e em esquemas de descarte de carga.
Ensaio com mala de teste (injeção secundária)
Depois de parametrizado, o relé precisa ser ensaiado para comprovar que atua exatamente como os ajustes determinam. O ensaio é feito com uma mala de teste, equipamento que injeta correntes e tensões secundárias diretamente nas entradas do relé, simulando as condições de falta sem a necessidade de provocar curtos reais na instalação. Esse procedimento é conhecido como injeção secundária.
Durante o ensaio, a mala aplica valores crescentes ou degraus de corrente e tensão e mede com precisão o ponto de operação (pickup) e o tempo de atuação de cada função. Os resultados são comparados com os valores parametrizados e com as curvas do estudo de seletividade, validando o desempenho do relé antes da energização ou da reentrada em serviço.
- Verificação do pickup de cada função (50, 51, 50N, 51N, 87 e demais);
- Levantamento dos tempos de atuação ao longo da curva tempo-corrente;
- Ensaio das zonas e da estabilidade da proteção diferencial (87);
- Teste de elementos direcionais (67) e de tensão e frequência (27/59/81);
- Conferência da fiação, da polaridade dos TCs e do circuito de trip ao disjuntor;
- Registro dos resultados para o relatório técnico de comissionamento.
Relés digitais (IEDs) e comunicação
Os relés modernos são dispositivos eletrônicos inteligentes — os IEDs (Intelligent Electronic Devices) — que reúnem em um único equipamento diversas funções de proteção, medição, controle e registro de eventos. Além de executar a proteção, esses relés digitais armazenam oscilografias, registram a sequência de eventos e se comunicam com sistemas de supervisão por protocolos como Modbus, DNP3 e IEC 61850.
Essa capacidade de comunicação permite integrar a proteção ao sistema de automação da subestação, facilitando o diagnóstico de faltas, a parametrização remota e a manutenção. No comissionamento, a IFELL verifica não apenas os ajustes de proteção, mas também a configuração lógica, os intertravamentos e a comunicação do IED com a rede da instalação.
Entrega: relatório técnico e ART
Concluídas a parametrização e os ensaios, o serviço é formalizado com a documentação técnica que comprova a conformidade da proteção. Essa entrega é fundamental para auditorias, para o atendimento às concessionárias e para a rastreabilidade dos ajustes ao longo da vida útil da instalação.
- Relatório de parametrização com a tabela de ajustes de cada relé e função;
- Relatório de ensaio com os resultados de pickup e tempos medidos na mala de teste;
- Memorial técnico vinculado ao estudo de coordenação e seletividade;
- Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do responsável registrado no CREA;
- Arquivos de parametrização dos IEDs para registro e futuras revisões.
Perguntas Frequentes
O que é a parametrização de um relé de proteção?
A parametrização de um relé de proteção é o processo de inserir no equipamento os ajustes que definem quando e em quanto tempo ele deve comandar a abertura do disjuntor diante de uma falta. Os valores de pickup, curvas de tempo, tipos de função e temporizações são calculados a partir do estudo de coordenação e seletividade e do estudo de curto-circuito, de modo que apenas o trecho defeituoso seja isolado, preservando o restante da instalação.
Como é feito o ensaio de relé com mala de teste?
O ensaio é realizado com uma mala de teste que injeta correntes e tensões secundárias diretamente nas entradas do relé, simulando faltas como curto-circuito e sobretensão. A mala mede o tempo de atuação e o ponto exato de operação de cada função e compara com os valores parametrizados e com as curvas do estudo de seletividade. Assim se confirma que o relé atua nos limiares e nos tempos corretos antes de o sistema entrar em operação.
Quais funções ANSI são ajustadas (50, 51, 87)?
As funções mais comuns são a 50 (sobrecorrente instantânea), a 51 (sobrecorrente temporizada), suas versões de neutro 50N e 51N, e a 87 (proteção diferencial) para transformadores, barras e geradores. Conforme a aplicação também são ajustadas a 27 e a 59 (sub e sobretensão), a 67 (sobrecorrente direcional) e a 81 (proteção de frequência). Cada função recebe ajustes específicos derivados do estudo de proteção da instalação.
Precisa do estudo de seletividade antes?
Sim. O estudo de coordenação e seletividade, apoiado pelo estudo de curto-circuito, é o que fornece os valores de ajuste de cada relé. Sem ele a parametrização seria arbitrária e poderia provocar atuação indevida ou perda de seletividade, desligando áreas maiores que o necessário. A IFELL Engenharia realiza o estudo e, em seguida, parametriza e ensaia os relés, entregando relatório técnico e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
Precisa parametrizar ou ensaiar relés de proteção?
Fale com a engenharia da IFELL e receba um diagnóstico técnico para a proteção da sua instalação elétrica.
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