Estudo de Arco Elétrico e Energia Incidente
O estudo de arco elétrico calcula, para cada painel, a energia que um arco liberaria sobre o trabalhador, a distância segura e a vestimenta mínima. Pela nova NR-10, que vale a partir de 1º de junho de 2027, é ele que define as medidas contra arco fora dos limites da tabela do Anexo IV.
O que o estudo de arco elétrico calcula
- Energia incidente, em cal/cm², na distância de trabalho: quanto calor do arco chega ao rosto e ao tronco de quem está na frente do painel.
- Fronteira de arco: a distância em que a energia cai a 1,2 cal/cm² (5 J/cm²), limite associado à queimadura de segundo grau. A nova NR-10 chama essa distância de "distância segura" e manda defini-la por estudo de energia incidente.
- Corrente de arco, sempre menor que a de curto franco, calculada em dois valores (cheio e reduzido), porque a corrente menor pode fazer a proteção demorar mais.
- Vestimenta mínima: o ATPV ou EBT que cobre a energia calculada, e a categoria correspondente.
Quando o estudo é exigido
A nova redação da NR-10 (Portaria MTE 737/2026) entra em vigor em 1º de junho de 2027 e cria três pontos de contato com o estudo de energia incidente:
- Medidas coletivas contra arco (item 10.6.5). A operação a distância segura deve ser definida pelo estudo de energia incidente, pelo método de norma técnica nacional. A norma nacional é a ABNT NBR 17227:2025, que adota o modelo da IEEE 1584-2018.
- EPI fora do Anexo IV (item 10.11.2.3). A tabela de categorias só vale dentro das suas condições. Corrente maior, tempo maior, distância menor ou equipamento diferente exigem o estudo.
- Sinalização dos quadros (item 10.7.7.1). Todo painel passa a ter aviso de perigo de arco elétrico. Com o estudo, a etiqueta traz os números daquele painel.
Antes de 2027 o estudo já é pedido em contratos de indústria, mineração, óleo e gás e data center, e por seguradoras. Um resumo da norma está em o que muda na nova NR-10.
Exemplo: o tempo da proteção decide a vestimenta
A energia incidente cresce quase na proporção do tempo em que o arco fica aceso, e esse tempo é o da proteção que abre o circuito. Os dois exemplos abaixo foram calculados pelo modelo da IEEE 1584-2018, com a mesma corrente de curto e só o tempo variando.
Quadro geral de 380 V, 30 kA
| Tempo de atuação | Energia incidente a 610 mm | Fronteira de arco |
|---|---|---|
| 0,05 s | 1,6 cal/cm² | 0,72 m |
| 0,10 s | 3,1 cal/cm² | 1,11 m |
| 0,25 s | 7,8 cal/cm² | 1,97 m |
| 0,50 s | 15,6 cal/cm² | 3,04 m |
Configuração de eletrodos verticais em invólucro (VCB), espaçamento de 32 mm e invólucro de 508 mm, valores típicos de quadro de distribuição de baixa tensão. A corrente de arco fica entre 16,5 kA e 18,9 kA, bem abaixo dos 30 kA do curto franco. Se o disjuntor geral tiver o instantâneo ajustado acima disso, o arco é eliminado pela unidade de tempo curto, e a energia sai da faixa de 2 cal/cm² para a de 8 a 16 cal/cm².
Cubículo de média tensão, 13,8 kV, 12,5 kA
| Tempo de atuação | Energia incidente a 910 mm | Fronteira de arco |
|---|---|---|
| 0,10 s | 1,4 cal/cm² | 1,02 m |
| 0,30 s | 4,3 cal/cm² | 2,06 m |
| 0,60 s | 8,7 cal/cm² | 3,21 m |
Espaçamento de 152 mm e invólucro de 1.143 x 762 x 762 mm. Na média tensão, o tempo vem do relé de sobrecorrente da cabine, e o ajuste que atende à coordenação com a concessionária é o mesmo que define a energia no cubículo. Quer testar outros valores? Use a calculadora de energia incidente, gratuita, com o mesmo modelo.
Como reduzir a energia antes de comprar vestimenta
A NR-10 põe o EPI como a última camada (item 10.5.4). O estudo mostra quanto cada medida coletiva reduz a energia em cada painel:
- Revisão de ajustes dos disjuntores e relés, sem perder a seletividade (estudo de seletividade).
- Ajuste de manutenção no disjuntor geral: um disparo rápido que o eletricista habilita antes de intervir e desliga ao terminar.
- Seletividade lógica entre o disjuntor geral e os de saída, para que o geral só atrase quando a falta estiver a jusante.
- Relé de proteção contra arco, que detecta a luz e a corrente do arco e manda abrir em poucos milissegundos.
- Fusíveis e disjuntores limitadores de corrente.
- Operação remota de disjuntores e extração de gavetas, com o operador fora da fronteira de arco.
- Painéis resistentes a arco, ensaiados conforme a IEC 62271-200 (média tensão) ou a IEC/TR 61641 (baixa tensão), que protegem com as portas fechadas.
Método de cálculo
A IFELL calcula pela IEEE 1584-2018, o modelo adotado pela ABNT NBR 17227:2025, no módulo Arc Flash Evaluation do PTW. O modelo considera a tensão, a corrente de curto, a configuração dos eletrodos (VCB, VCBB, HCB, VOA ou HOA), o espaçamento entre condutores, as dimensões do invólucro e a distância de trabalho. A IFELL também mantém uma implementação própria do modelo, conferida contra os exemplos do Anexo D da IEEE 1584 e contra a planilha oficial do IEEE, que é a usada na calculadora do site.
A IEEE 1584-2018 vale de 208 V a 15 kV em corrente alternada. Acima de 15 kV, em pátios abertos, e em corrente contínua, como bancos de baterias e retificadores, o estudo usa os métodos próprios de cada faixa e diz no relatório qual usou.
ATPV, EBT e categorias de vestimenta
O ATPV (valor de desempenho térmico de arco) é a energia incidente, em cal/cm², em que o calor que atravessa o tecido tem 50 % de chance de chegar ao limiar de queimadura de segundo grau (curva de Stoll). O EBT é a energia em que o tecido tem 50 % de chance de se romper. Os dois são obtidos em ensaio, pela ASTM F1959 ou pela IEC 61482-1-1, e constam do Certificado de Aprovação da vestimenta. A regra é direta: o ATPV ou o EBT da vestimenta deve ser maior ou igual à energia incidente calculada no painel.
| Categoria | ATPV ou EBT mínimo | Conjunto típico |
|---|---|---|
| 1 | 4 cal/cm² | Camisa e calça ou macacão resistentes a arco, protetor facial ou capuz |
| 2 | 8 cal/cm² | Camisa e calça ou macacão, capuz completo ou protetor facial com balaclava |
| 3 | 25 cal/cm² | Traje completo resistente a arco e capuz completo |
| 4 | 40 cal/cm² | Traje completo resistente a arco e capuz completo |
São as categorias do Anexo IV da nova NR-10, adaptadas da NFPA 70E. Com o estudo, a empresa não precisa arredondar para a categoria seguinte por falta de dado: compra a vestimenta que cobre a energia calculada, área por área. Acima de 40 cal/cm², não existe categoria: o trabalho com o painel energizado não deve ser feito, e o caminho é desenergizar ou reduzir a energia com as medidas acima.
A etiqueta do painel
Cada painel estudado recebe uma etiqueta com a tensão nominal, a energia incidente na distância de trabalho, a fronteira de arco, os limites de aproximação contra choque da NR-10 e a vestimenta mínima, com a identificação do estudo e da revisão. A etiqueta só é impressa depois que os ajustes recomendados pelo estudo são aplicados, para não trocar todas as placas duas vezes.
O que o cliente recebe
- Energia incidente, fronteira de arco e vestimenta mínima de cada painel, nos cenários de operação normal e de manutenção.
- Medidas de redução da energia, com o resultado de cada uma.
- Etiquetas prontas para impressão.
- Especificação do EPI contra arco por área ou por tarefa.
- Estudos de curto-circuito e de coordenação que servem de base ao cálculo.
- Relatório em português e ART.
Casos
Petrobras, FSO PRA-1 (Bacia de Campos). Barras de 13,8 kV a 220 V com dois turbogeradores em paralelo: curto de 113,9 kA, energia incidente de 38,51 cal/cm² com atuação em 0,08 s e vestimenta de categoria 4 (mínimo de 40 cal/cm²) nas áreas mais críticas. Contratado por meio da Ideal Work.
SABESP, ETA ABV. Rede de 88 kV e 13,8 kV modelada para atender a uma notificação do Ministério do Trabalho. O estudo mapeou energia incidente de 113,9 cal/cm² e propôs relés ópticos ultrarrápidos.
LANXESS (Jarinu) e VETNIL (Louveira). Na LANXESS, 353,7 cal/cm² no primário do transformador T1. Na VETNIL, risco elevado no painel da bomba jockey, causado por um disjuntor-motor usado como proteção geral. Outros casos em obras e projetos.
Quem assina o estudo
Os estudos da IFELL são feitos e assinados pelo Eng. Raphael Olivati Modesto, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 5069031027 e responsável técnico da empresa, com ART em todos os trabalhos. O modelo é montado no PTW, da SKM, com licença original em nome da IFELL, e o relatório é entregue em português.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre estudo de arco elétrico e estudo de energia incidente?
São o mesmo estudo. Energia incidente é o principal resultado do estudo de arco elétrico: a energia térmica, em cal/cm², que chegaria ao rosto e ao tronco do trabalhador na distância de trabalho. O estudo também calcula a fronteira de arco e a vestimenta mínima.
O estudo de energia incidente é obrigatório?
Pela nova NR-10 (Portaria MTE 737/2026), em vigor a partir de 1º de junho de 2027, o EPI contra arco é escolhido pela tabela do Anexo IV só quando o painel está dentro de todas as condições dela: tipo de equipamento, corrente de curto máxima, tempo máximo de eliminação e distância mínima de trabalho. Fora delas, ou para usar categoria menor, a empresa deve fazer o estudo de energia incidente (item 10.11.2.3). As medidas coletivas contra arco também são definidas a partir dele (item 10.6.5).
O que é ATPV?
É o valor de desempenho térmico de arco de um tecido ou de uma vestimenta, em cal/cm², obtido em ensaio. A vestimenta serve quando o ATPV (ou o EBT) é maior ou igual à energia incidente calculada no painel.
Posso usar só a tabela do Anexo IV e não fazer o estudo?
Só quando o painel atende a todas as condições da linha da tabela. O parâmetro que mais tira um quadro da tabela é o tempo: as linhas de painéis de baixa tensão valem até 2 ciclos (0,03 s), o que corresponde a disjuntor atuando no instantâneo. Quadro geral com disjuntor em tempo curto, ou protegido pelo relé da média tensão, fica fora.
O estudo vale para sempre?
Não. Ele precisa ser refeito quando muda o que entra no cálculo: transformador, nível de curto da concessionária, ajustes de proteção, disjuntores ou configuração dos painéis. A NFPA 70E recomenda revisão em intervalos de no máximo cinco anos.
A IEEE 1584 serve para corrente contínua e alta tensão?
Não. A IEEE 1584-2018 vale de 208 V a 15 kV em corrente alternada. Acima de 15 kV, em pátios abertos, usam-se métodos de arco ao ar livre; em corrente contínua, como bancos de baterias e retificadores, os métodos do Anexo D da NFPA 70E. O estudo separa as faixas e diz qual método usou em cada uma.
Precisa adequar os painéis à nova NR-10?
Envie o unifilar ou peça o levantamento. A IFELL calcula a energia incidente de cada painel, recomenda as medidas de redução e entrega as etiquetas, com ART.
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