Estudo de Seletividade e Coordenação da Proteção
Seletividade é a proteção mais próxima da falta abrir sozinha, sem derrubar o resto da instalação. O estudo de coordenação calcula as correntes de curto, escolhe os ajustes de relés e disjuntores e prova, no coordenograma, que as curvas não se cruzam.
O que o estudo de seletividade responde
Quando acontece um curto-circuito num painel de andar, quem deve abrir é o disjuntor daquele painel. Se abre o disjuntor geral, ou o relé da cabine primária, o prédio ou a fábrica inteira fica sem energia por causa de uma falta que poderia ter derrubado um só circuito. É isso que o estudo de coordenação e seletividade evita.
O estudo responde a três perguntas, nesta ordem: qual é a corrente de curto em cada ponto da instalação, que ajuste cada relé e cada disjuntor deve ter, e se as curvas tempo-corrente de proteções em série mantêm uma margem de tempo entre si em toda a faixa de corrente em que as duas atuam.
Exemplo: o mesmo sistema, antes e depois do estudo
No quadro da esquerda, o relé da cabine está com o multiplicador de tempo em 0,15. Para um curto de 25,7 kA no quadro geral, ele atua em 0,12 s, antes dos 0,20 s do disjuntor geral. Resultado: uma falta na baixa tensão abre a proteção da média tensão e desliga tudo o que está ligado ao transformador. É um ajuste comum em cabines comissionadas sem estudo, porque "rápido" parece mais seguro.
No quadro da direita, depois do estudo, o multiplicador passa a 0,8. O relé atua em 0,66 s nessa corrente, com margem de 0,46 s sobre o disjuntor geral, e as três curvas não se cruzam. O disjuntor do alimentador abre primeiro, o geral fica como retaguarda e o relé da cabine só atua se os dois falharem ou se a falta for na própria média tensão.
Os tipos de seletividade
| Tipo | Como funciona | Onde se usa |
|---|---|---|
| Amperimétrica | A proteção de montante tem ajuste de corrente acima do curto máximo no ponto de jusante. | Circuitos com cabos longos ou transformador entre as proteções. |
| Cronológica | As proteções enxergam a mesma corrente e se diferenciam pelo tempo. | Relés em cascata na média tensão e disjuntores com unidade de tempo curto. |
| Lógica (intertravamento por zona) | O disjuntor de jusante que vê a falta manda um sinal de bloqueio ao de montante, que só atrasa se receber o sinal. | Quadros gerais grandes, onde o atraso aumentaria demais a energia de arco. |
| Energética | O disjuntor de jusante limita a corrente tão rápido que a energia não chega para disparar o de montante. | Disjuntores limitadores em baixa tensão, com tabela do fabricante. |
A margem entre duas curvas em cascata costuma ficar entre 0,2 s e 0,4 s, como descreve a IEEE 242, conforme o tipo de relé e o tempo de abertura do disjuntor. Entre disjuntores de baixa tensão, o estudo confere as tabelas de seletividade do fabricante, que dizem até que corrente o par é seletivo.
Quando o estudo é exigido ou necessário
- Cabine primária na área da Enel SP. A ET 0004 pede o memorial de ajuste da proteção geral com o estudo de coordenação com a proteção da Enel (item 7.16 f), também em reforma e ampliação. Veja o estudo de proteção para a Enel.
- Troca ou aumento do transformador. A corrente de curto muda, e os ajustes antigos deixam de valer.
- Desligamentos gerais sem explicação. Quando uma falta pequena derruba a cabine, quase sempre há curvas cruzadas.
- Gerador, usina solar ou baterias. Uma fonte nova muda o sentido e o valor das correntes de falta. Usinas acima de 75 kW pedem estudo próprio na Enel (estudo de proteção de minigeração).
- Nova NR-10, a partir de 1º de junho de 2027. O estudo de energia incidente usa os tempos de atuação que saem da coordenação. Sem coordenação, o tempo do cálculo de arco é chute.
Seletividade e arco elétrico precisam ser estudados juntos
Há um conflito real entre as duas coisas. Para ser seletivo, o disjuntor geral espera os disjuntores de jusante abrirem; enquanto espera, um arco no barramento do quadro geral continua queimando. Como a energia incidente cresce quase na proporção do tempo, um ajuste de 0,4 s no tempo curto pode dobrar a vestimenta exigida em relação a 0,2 s.
O estudo resolve o conflito com ferramentas conhecidas: seletividade lógica entre o disjuntor geral e os de saída, um ajuste de manutenção que o eletricista liga antes de intervir no quadro, ou um relé de proteção contra arco, que atua por luz e corrente em poucos milissegundos sem mexer na coordenação. A escolha aparece no relatório com a energia incidente de cada alternativa. Veja o estudo de arco elétrico e energia incidente.
Como a IFELL faz o estudo
- Levantamento de campo. Dados de placa de transformadores, disjuntores, relés, fusíveis e cabos, ajustes atuais lidos nos equipamentos e conferência do unifilar.
- Curto-circuito. Correntes máximas e mínimas em cada barra, a partir do nível de curto informado pela concessionária (estudo de curto-circuito).
- Coordenograma no PTW. Curvas de todos os dispositivos no módulo CAPTOR, trecho por trecho, da proteção da concessionária até o maior circuito terminal.
- Ajustes. Tabela com cada função de cada relé (50, 51, 50N, 51N, 27, 59, 67 quando houver) e cada disjuntor (longo, curto e instantâneo), pronta para quem vai parametrizar.
- Relatório e ART. Premissas, resultados, pontos sem seletividade e o que fazer com cada um, em português.
O que o cliente recebe
- Unifilar atualizado com o que foi encontrado em campo.
- Correntes de curto máximas e mínimas por barra.
- Coordenogramas por trecho, com as margens de tempo indicadas.
- Tabela de ajustes por dispositivo, com o ajuste atual e o recomendado lado a lado.
- Lista de equipamentos que precisam de troca, quando um disjuntor não permite a seletividade.
- ART do estudo e, se pedido, a parametrização e o ensaio dos relés com mala de teste (parametrização de relés).
Casos
Club Athletico Paulistano (São Paulo). No retrofit de uma cabine de 1.500 kVA, com troca de disjuntores a óleo e relés eletromecânicos e um quadro geral novo de 4.000 A, o estudo definiu os ajustes dos relés digitais da média tensão e dos disjuntores eletrônicos da baixa, para que nenhuma falta num dos mais de 50 circuitos desligue o clube.
LANXESS (Jarinu, SP). O estudo encontrou conflitos de seletividade entre disjuntores fixos e uma zona de energia incidente extrema, de 353,7 cal/cm², no primário do transformador T1, numa instalação com gerador de 289,8 kW. Outros casos em obras e projetos.
Quem assina o estudo
Os estudos da IFELL são feitos e assinados pelo Eng. Raphael Olivati Modesto, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 5069031027 e responsável técnico da empresa, com ART em todos os trabalhos. O modelo é montado no PTW, da SKM, com licença original em nome da IFELL, e o relatório é entregue em português.
Perguntas Frequentes
Qual é a diferença entre coordenação e seletividade?
Seletividade é o resultado: numa falta, só o dispositivo imediatamente a montante dela abre. Coordenação é o trabalho para chegar lá: escolher os ajustes de corrente e de tempo de cada relé, disjuntor e fusível e conferir, no coordenograma, as margens entre as curvas.
O estudo de seletividade é obrigatório?
Para cabine primária na área da Enel SP, sim: a especificação técnica ET 0004 pede o memorial de ajuste da proteção geral com o estudo de coordenação com a proteção da Enel (item 7.16, alínea f), e a Enel pode pedi-lo de novo a qualquer momento (item 7.12.1). A partir de 1º de junho de 2027, a nova NR-10 passa a exigir que as medidas contra arco elétrico sejam definidas pelo estudo de energia incidente, que depende dos tempos de atuação definidos na coordenação.
Que margem de tempo deve haver entre duas proteções?
A prática usual, descrita na IEEE 242, é de 0,2 s a 0,4 s entre as curvas na maior corrente de curto que as duas enxergam, conforme o tipo de relé e o tempo de abertura do disjuntor. Entre disjuntores de baixa tensão, a seletividade pode ser total ou parcial, e o fabricante publica tabelas de seletividade para cada par de disjuntores.
Seletividade aumenta o risco de arco elétrico?
Pode aumentar. Atrasar o disjuntor geral para que os de jusante abram primeiro aumenta o tempo de arco, e a energia incidente cresce praticamente na mesma proporção. O estudo resolve as duas coisas juntas, com seletividade lógica (intertravamento por zona), ajuste de manutenção no disjuntor geral ou relé de proteção contra arco.
Com que frequência o estudo deve ser revisto?
Sempre que a instalação muda: transformador novo ou maior, aumento de carga, gerador, usina solar, troca de relé ou disjuntor, ou mudança do nível de curto informado pela concessionária. Sem mudança, vale revisar junto com o estudo de arco elétrico, que a NFPA 70E manda revisar em intervalos de no máximo cinco anos.
Precisa desligar a instalação para fazer o estudo?
Normalmente não. O levantamento de campo lê os dados de placa e os ajustes atuais com a instalação em operação. Abrir um painel para ver o disjuntor interno, quando necessário, é combinado com a manutenção do cliente.
Precisa coordenar a proteção da sua instalação?
Envie o unifilar ou peça o levantamento de campo. A IFELL faz o estudo de coordenação e seletividade no PTW, com tabela de ajustes e ART.
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