Estudo de Curto-Circuito
O estudo de curto-circuito calcula a corrente de falta em cada ponto da instalação e responde se os disjuntores conseguem abri-la, se barramentos e cabos aguentam o esforço e se a proteção enxerga a menor falta. É a base de toda coordenação e de todo estudo de arco elétrico.
O que o estudo de curto-circuito responde
- O disjuntor consegue abrir a falta? A corrente de curto no ponto não pode passar da capacidade de interrupção do disjuntor (Icu e Ics, na IEC 60947-2). Disjuntor subdimensionado pode não interromper a falta e ser destruído por ela.
- Barramentos e cabos aguentam? A corrente de pico gera esforço mecânico no barramento, e a corrente de curta duração aquece cabos e barras até a proteção abrir. Os dois são comparados com os valores de ensaio do painel (Ipk e Icw) e com a integral de Joule dos cabos.
- A proteção enxerga a menor falta? A corrente mínima, no fim do circuito mais longo, decide se o disjuntor abre no instantâneo ou na curva lenta. É o dado que a seletividade e o arco elétrico usam.
Exemplo: um transformador de 1.000 kVA
No quadro geral, a corrente de curto trifásica inicial chega a 27,0 kA. Com a relação R/X desse ponto, o fator de pico κ fica em 1,55 e a corrente de pico em 59 kA: o barramento do quadro precisa ter corrente de pico suportável acima disso. Se a instalação tiver 300 kW de motores em baixa tensão, eles devolvem corrente à falta nos primeiros ciclos e somam cerca de 3,5 kA, levando o total para perto de 30,5 kA.
Um disjuntor geral de 25 kA, comum em quadros montados sem estudo, não serve nesse quadro. O de 36 kA serve. Esse é o achado mais frequente quando um transformador é trocado por outro maior e os disjuntores antigos ficam.
A corrente cai rápido ao longo dos cabos. Num painel a 60 m, alimentado por cabo de 95 mm², ela é de 12,3 kA; com cabo de 35 mm², 6,5 kA; a 120 m com 35 mm², 3,4 kA. No fim de circuitos longos, o cálculo do curto mínimo (fator c = 0,95 e cabo quente) mostra se o disjuntor ainda abre no instantâneo.
Curto máximo e curto mínimo
O estudo faz dois cálculos com premissas opostas. O máximo usa a maior tensão de operação, todas as fontes ligadas, todos os motores contribuindo e cabos frios: serve para escolher disjuntores e verificar barramentos. O mínimo usa a menor tensão, a configuração com menos fontes e cabos na temperatura máxima: serve para conferir se a proteção é sensível o bastante e para o cálculo de energia incidente, em que a corrente menor muitas vezes dá o tempo de atuação maior e a energia pior.
Além do trifásico, o estudo calcula a falta fase-terra, que é a mais comum. No esquema TN da baixa tensão ela pode ser maior que a trifásica perto do transformador; na média tensão, depende de como o neutro é aterrado, e é ela que define o ajuste das funções de neutro dos relés.
IEC 60909 ou ANSI/IEEE C37
A IEC 60909 é o método usado com equipamentos de norma IEC, que são a maioria no Brasil. Ela calcula a corrente inicial (I"k), a de pico (ip) e a de interrupção (Ib), com o fator de tensão c e fatores de correção de impedância de transformadores e geradores. A ANSI/IEEE C37 calcula as correntes de primeiro ciclo e de interrupção para comparar com disjuntores ensaiados pelas normas americanas, comuns em pacotes de equipamentos importados para mineração e óleo e gás. Em navios e plataformas, a referência é a IEC 61363-1, que trata da contribuição de geradores ao longo do tempo.
No PTW, a IFELL usa o módulo A_FAULT para ANSI, o IEC 909 para a IEC 60909 e o Equipment Evaluation para comparar automaticamente cada disjuntor, barramento e cabo com as correntes calculadas.
Quando fazer o estudo
- Projeto de instalação nova em média tensão ou com quadro geral de grande porte.
- Troca ou aumento do transformador. Mais potência ou menos impedância é mais corrente de curto em tudo o que está a jusante.
- Gerador, usina solar ou baterias. Geradores síncronos contribuem muito para a falta; inversores, pouco e por pouco tempo. Os dois entram no modelo.
- Novo nível de curto da concessionária, depois de obras na rede.
- Cabine primária na Enel. O memorial de ajuste pedido pela ET 0004 parte do curto no ponto de entrega (estudo de proteção para a Enel).
- Nova NR-10. O estudo de energia incidente, exigido fora dos limites do Anexo IV a partir de 1º de junho de 2027, começa pelas correntes de curto (o que muda na NR-10).
O que o cliente recebe
- Unifilar atualizado e tabela de impedâncias usadas no modelo.
- Correntes de curto trifásico e fase-terra, máximas e mínimas, por barra, com corrente de pico.
- Comparação de cada disjuntor, barramento e cabo com as correntes calculadas, com os subdimensionados destacados.
- Soluções para cada item reprovado: troca, cascata com tabela do fabricante, fusível limitador ou mudança de impedância.
- Base de dados do PTW, quando o contrato pede, e ART do estudo.
Dados necessários
- Nível de curto-circuito no ponto de entrega, informado pela concessionária.
- Transformadores: potência, tensões, impedância e perdas (placa ou relatório de ensaio).
- Cabos: seção, material, número por fase e comprimento aproximado.
- Geradores, motores grandes e inversores, com dados de placa.
- Disjuntores e painéis: modelo, capacidade de interrupção e corrente suportável. Sem documentação, o levantamento de campo coleta os dados de placa.
Caso
Petrobras, FSO PRA-1 (Bacia de Campos). Modelagem das barras de 13,8 kV, 6,9 kV, 450 V e 220 V com dois turbogeradores em paralelo. O curto máximo chegou a 113,9 kA, e com as correntes e os tempos de atuação a IFELL calculou a energia incidente e especificou as vestimentas dos operadores. Contratado por meio da Ideal Work. Outros casos em obras e projetos.
Quem assina o estudo
Os estudos da IFELL são feitos e assinados pelo Eng. Raphael Olivati Modesto, engenheiro eletricista registrado no CREA-SP sob o nº 5069031027 e responsável técnico da empresa, com ART em todos os trabalhos. O modelo é montado no PTW, da SKM, com licença original em nome da IFELL, e o relatório é entregue em português.
Perguntas Frequentes
O que é um estudo de curto-circuito?
É o cálculo das correntes que circulam numa falta franca entre fases ou entre fase e terra, em cada barra da instalação. Com elas se verifica a capacidade de interrupção dos disjuntores, a suportabilidade de barramentos e cabos e o ajuste da proteção.
Quando o estudo de curto-circuito é necessário?
No projeto de qualquer instalação de porte, na troca ou no aumento do transformador, na entrada de gerador ou usina, quando a concessionária informa novo nível de curto, para o memorial de ajuste da Enel e como base do estudo de energia incidente exigido pela nova NR-10.
Qual a diferença entre IEC 60909 e ANSI?
São métodos diferentes para a mesma física. A IEC 60909 calcula a corrente inicial, a de pico e a de interrupção com fatores de tensão e de correção próprios. A ANSI/IEEE C37 calcula as correntes nos intervalos de primeiro ciclo e de interrupção, para comparar com disjuntores ensaiados pelas normas americanas. O método segue a norma dos equipamentos: disjuntor IEC, IEC 60909; equipamento ANSI, como em muitos pacotes de mineração, ANSI.
Por que calcular também o curto mínimo?
Porque é o mínimo que decide se a proteção atua rápido. Se a menor corrente de falta no fim de um circuito fica abaixo do ajuste instantâneo do disjuntor, ele abre pela curva lenta. Isso aumenta o dano e, num painel, a energia incidente de um arco.
O que fazer quando o disjuntor não tem capacidade de interrupção suficiente?
As saídas são trocar o disjuntor, usar a proteção em cascata (back-up) com combinações testadas e publicadas pelo fabricante, instalar fusíveis limitadores a montante ou reduzir a corrente com transformador de maior impedância ou reator. O estudo indica a mais barata que resolve.
Vai trocar o transformador ou ampliar a instalação?
Envie o unifilar e os dados dos transformadores. A IFELL calcula o curto-circuito em cada barra e verifica disjuntores, barramentos e cabos, com ART.
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