Tipos de Transformadores: Óleo, Seco e Trifásico
O transformador muda o nível de tensão da energia. Na subestação de uma indústria ou de um prédio, ele recebe 13,8 kV da distribuidora e entrega 380/220 V aos quadros. Esta página explica os tipos, como escolher e quando trocar.
Atualizado em 4 de novembro de 2026 · Eng. Raphael Olivati Modesto, CREA-SP 5069031027
O que é um transformador
O transformador tem dois enrolamentos de cobre ou alumínio em volta de um núcleo de chapas de aço-silício. A corrente alternada no primário cria um fluxo magnético no núcleo, e esse fluxo induz tensão no secundário. A relação entre as tensões é a relação entre o número de espiras.
A potência é dada em kVA, não em kW, porque o transformador aquece com a corrente total, inclusive a reativa. Ele só funciona em corrente alternada. Os de grande porte têm rendimento acima de 98 %, e as perdas que sobram viram calor no núcleo e nos enrolamentos.
Tipos de transformadores pelo isolamento
Transformador a óleo mineral
É o mais comum em cabine primária. O óleo isola as bobinas e leva o calor até as aletas do tanque. Custa menos que o seco e aguenta melhor sobrecarga curta e ambiente úmido. Instalado dentro de edificação, exige recinto próprio e contenção do óleo, como pede a ABNT NBR 14039. O óleo precisa de análise periódica.
Transformador a óleo vegetal (éster natural)
Tem o mesmo projeto do transformador a óleo, mas usa óleo de origem vegetal. O ponto de combustão passa de 300 °C, contra cerca de 170 °C do óleo mineral, e o óleo é biodegradável. Custa mais e é escolhido onde o risco de incêndio ou de vazamento pesa mais.
Transformador a seco
As bobinas ficam encapsuladas em resina epóxi e não há líquido inflamável. Por isso pode ficar perto da carga, dentro de prédio, hospital, shopping ou data center, sem bacia de óleo. Custa mais, ocupa mais espaço para a mesma potência e precisa de sala ventilada, limpa e seca. A classe térmica mais comum é a F (155 °C).
Transformador trifásico e monofásico
O transformador trifásico tem três enrolamentos no mesmo núcleo e atende indústria, comércio e prédio. Na distribuição, a ligação mais usada é triângulo no primário e estrela aterrada no secundário, indicada como Dyn1 ou Dyn11. O triângulo segura dentro do transformador os harmônicos de 3ª ordem das cargas. A estrela aterrada dá o neutro para os circuitos de 220 V ou 127 V.
O monofásico atende rede rural e cargas pequenas. Três monofásicos podem formar um banco trifásico, arranjo que hoje aparece mais em subestação de concessionária, onde facilita a reserva.
Transformador de distribuição e transformador de força
O transformador de distribuição recebe a média tensão e entrega a baixa tensão ao consumidor. Fica no poste da distribuidora, com potências de 15 a 300 kVA nos trifásicos, ou na cabine do consumidor, de 225 kVA a alguns MVA.
O transformador de força trabalha em alta tensão, de 69 kV para cima, nas subestações da concessionária e das grandes indústrias. Chega a dezenas ou centenas de MVA e tem comutador de derivações sob carga para regular a tensão.
Transformadores de instrumentos: TC e TP
O transformador de corrente (TC) e o de potencial (TP) não alimentam carga. Eles reduzem corrente e tensão a valores que o relé e o medidor conseguem ler, como 5 A e 115 V. Um TC saturado faz o relé enxergar menos corrente do que a falta tem, e a proteção atrasa. Ver dimensionamento e saturação do TC.
Outros tipos
- Autotransformador: um enrolamento só, com derivação. É menor e mais barato, mas não isola os circuitos. Usado na partida de motores e no ajuste de tensão.
- Transformador isolador: separa eletricamente dois circuitos de mesma tensão. É a base do sistema IT médico das salas cirúrgicas, exigido pela ABNT NBR 13534.
- Transformador de aterramento (zigue-zague): cria um neutro em sistema que não tem, para a proteção de terra funcionar.
Onde o transformador trabalha: a subestação
Subestação é o conjunto que recebe a energia numa tensão e a entrega em outra, com manobra, proteção e medição. Na subestação do consumidor, o transformador fica depois da chave seccionadora, do disjuntor e do relé de média tensão. Os tipos de subestação (abrigada, blindada, aérea e compacta) e a diferença entre média e alta tensão estão em projeto de subestação. A cabine em operação é tratada em cabine primária: projeto e manutenção.
Como escolher o transformador
- Potência: sai da demanda máxima medida ou calculada, não da soma das cargas instaladas. Uma demanda de 600 kW com fator de potência 0,92 pede 652 kVA. Com 15 % de folga, chega a 750 kVA.
- Local: área externa ou cabine isolada aceita óleo. Dentro de prédio ocupado, o seco ou o éster natural simplificam a instalação.
- Tensões e ligação: primário na tensão da distribuidora, com derivações para ajuste. Secundário em 380/220 V ou 220/127 V, conforme as cargas.
- Impedância: define o curto-circuito na baixa tensão. Um transformador de 1.000 kVA em 380 V, com 5 % de impedância, leva o curto da barra a cerca de 30 kA. Os disjuntores do QGBT precisam interromper esse valor.
- Perdas: o transformador fica ligado 8.760 horas por ano. A diferença de perdas entre dois modelos pesa na conta de energia ao longo da vida útil.
Esses dados entram no diagrama unifilar e no estudo de curto-circuito.
Ensaios e manutenção
A manutenção preventiva do transformador junta inspeção visual, termografia e ensaios elétricos. No transformador a óleo entra também a análise do óleo em laboratório:
- Análise de gases dissolvidos (cromatografia), que mostra aquecimento e descargas internas antes da falha;
- Análise físico-química do óleo: umidade, rigidez dielétrica e acidez;
- Resistência de isolamento dos enrolamentos;
- Relação de transformação, que acusa espiras em curto;
- Resistência ôhmica dos enrolamentos e dos contatos do comutador;
- Termografia das buchas e conexões com o transformador em carga.
Quando trocar o transformador
- Demanda acima da potência nominal por longos períodos, depois de aumento de carga;
- Gases de falha crescendo de uma análise de óleo para a seguinte;
- Isolamento que cai ensaio após ensaio, ou vazamento de óleo que volta depois do reparo;
- Mudança da tensão de fornecimento pela distribuidora;
- Transformador com ascarel (PCB): a Lei 14.250/2021 obriga a retirada e a destinação controlada.
A troca do transformador costuma vir junto com a revisão da proteção de média tensão e da cabine. Ver retrofit de subestação.
Perguntas Frequentes
Quais são os tipos de transformadores?
Pelo isolamento, os transformadores são a óleo mineral, a óleo vegetal ou a seco, em resina epóxi. Pelo número de fases, são trifásicos ou monofásicos. Pela função, há transformadores de força, de distribuição, de instrumentos (TC e TP), isoladores, autotransformadores e de aterramento.
Qual a diferença entre transformador a óleo e a seco?
O transformador a óleo usa óleo isolante para isolar e resfriar as bobinas. Custa menos, mas precisa de recinto e contenção de óleo quando fica dentro da edificação. O transformador a seco tem as bobinas encapsuladas em resina epóxi e não tem líquido inflamável. Por isso pode ficar perto da carga, em prédios, hospitais e shoppings, mas custa mais e exige ambiente ventilado e limpo.
O que é um transformador de distribuição?
É o transformador que recebe a média tensão, normalmente 13,8 kV na rede de São Paulo, e entrega a baixa tensão usada pelos consumidores, como 380/220 V ou 220/127 V. Fica no poste da concessionária ou na cabine primária do consumidor. Em poste, os trifásicos vão de 15 a 300 kVA. Em cabine de indústria ou prédio, de 225 kVA a alguns MVA.
Como saber a potência do transformador de que eu preciso?
A potência sai da demanda máxima, não da soma das cargas instaladas. Divide-se a demanda em kW pelo fator de potência e soma-se a margem de crescimento prevista. Uma demanda de 600 kW com fator 0,92 pede 652 kVA. Com 15 % de folga, chega a 750 kVA, que é uma potência comercial.
Precisa dimensionar, trocar ou manter um transformador?
Fale com a engenharia da IFELL. Avaliamos a cabine, o transformador e a proteção e indicamos o que fazer.
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