SPDA e Para-raios

NBR 5419:2026: o que muda no SPDA, na análise de risco e no laudo

A ABNT publicou em 10 de março de 2026 a nova edição da NBR 5419, nas quatro partes, que cancela e substitui a de 2015. A transição terminou: desde 2 de outubro de 2026, projeto novo de proteção contra descargas atmosféricas segue a edição 2026. Este é o resumo do que muda para quem projeta, mantém ou precisa do laudo do para-raios.

Quadro comparativo das principais mudanças da NBR 5419 entre as edições de 2015 e 2026

Quando a edição 2026 passou a valer

A edição 2026 foi publicada em 10 de março de 2026 e ganhou versão corrigida em abril. Pela regra de transição, ela não se aplica a projetos protocolados para aprovação no órgão licenciador antes da publicação ou nos 180 dias seguintes; esses seguem a edição de 2015. O que decide é a data do protocolo, não a do contrato nem a do início da obra. Desde 2 de outubro de 2026, projeto novo segue a edição 2026.

Instalação existente, feita pela edição de 2015, não precisa ser refeita por causa da nova norma. Reforma, ampliação e mudança de uso seguem a edição 2026, e o laudo de inspeção registra por qual edição o SPDA foi projetado.

Classe vira nível de proteção

A edição 2026 trata o conjunto como PDA, proteção contra descargas atmosféricas: o SPDA, que protege a estrutura com captação, descidas e aterramento, e as MPS, medidas de proteção contra surtos dos sistemas internos, onde entram os DPS. A antiga classe do SPDA passa a ser chamada de nível de proteção, NP I a IV. Os parâmetros de cada nível não mudaram:

Nível de proteçãoRaio da esfera rolanteMalha de captação
NP I20 m5 × 5 m
NP II30 m10 × 10 m
NP III45 m15 × 15 m
NP IV60 m20 × 20 m

Análise de risco: R1, R3 e frequência de dano

A Parte 2 trocou o nome de gerenciamento de risco para análise de risco e mudou o que decide a necessidade de proteção. Ficam o risco de perda de vida humana (R1) e o de perda de patrimônio cultural (R3), com os mesmos valores toleráveis; para R1, 10−5 por ano. Saem da decisão o risco de perda de serviço ao público (R2) e o de perda de valor econômico (R4), que vira uma avaliação opcional.

No lugar entra a frequência de dano (F): o número esperado, por ano, de falhas dos sistemas internos causadas por raios. O limite é de 0,1 por ano para equipamento crítico, como apoio à vida e serviços essenciais ao público, e de 1 por ano para os demais. Quando F passa do limite, a norma pede medidas de proteção contra surtos, mesmo com o risco à vida dentro do tolerável.

Novo mapa de densidade de descargas (Ng)

A densidade de descargas atmosféricas para a terra, o Ng, foi refeita com dados de satélites e sensores. Cada município tem agora um valor só, o da maior densidade observada no seu território, em números pares, numa tabela da própria norma, que passa a ser a fonte a usar. Em várias regiões o Ng subiu, e uma análise que dispensava proteção pela edição de 2015 pode concluir diferente pela de 2026.

Aterramento: a continuidade passa a ser o critério

A edição 2026 diz que não é necessária a medição da resistência de aterramento para verificar a eficácia do SPDA. O valor de cerca de 10 Ω, que a edição de 2015 recomendava e que muitos laudos usavam para aprovar ou reprovar o sistema, deixa de ser critério. O que se verifica é a continuidade elétrica entre captação, descidas, eletrodo de aterramento e ligações equipotenciais, com procedimentos de ensaio próprios para os componentes naturais, como as armaduras do concreto.

O eletrodo também mudou. Sai o arranjo A, de hastes; fica o anel em volta da estrutura ou o eletrodo natural das fundações, e a haste entra só como complemento. O anel pode passar por dentro em edificações geminadas e não pode mais ter trechos fora do solo. A Parte 3 revisou ainda os requisitos de materiais, como o aço cobreado e as soldas exotérmicas.

A resistência de aterramento continua útil fora do SPDA. Na instalação elétrica, pela NBR 5410, ela entra na verificação do seccionamento automático, principalmente no esquema TT, e serve para acompanhar a evolução de uma malha ao longo do tempo. Veja o laudo de aterramento.

Equipotencialização e DPS

A ligação equipotencial passa a ser tratada como a medida para quando não se consegue garantir a distância de segurança entre o SPDA e as partes metálicas e instalações da estrutura, e não como prática de rotina. Para os DPS, a norma deixou mais claros os critérios do DPS classe I, como a capacidade de corrente de impulso, e atualizou as referências para a série ABNT NBR IEC 61643.

Inspeção e laudo

A inspeção completa ficou em 1 ano para estruturas com áreas classificadas, explosivos ou substâncias tóxicas, atmosfera corrosiva severa, como o litoral e polos industriais, e para fornecedores de serviços essenciais; e em 3 anos para as demais. O SPDA precisa ter um plano de inspeção e manutenção documentado. Na prática, o laudo de SPDA pela edição 2026 traz:

  • a edição da norma pela qual o SPDA foi projetado;
  • o nível de proteção (NP), no lugar da classe;
  • os ensaios de continuidade elétrica, com os valores medidos;
  • as não conformidades e o que corrigir.

Em São Paulo, o Corpo de Bombeiros pede o SPDA conforme a NBR 5419 para emitir e renovar o AVCB; veja o laudo para AVCB.

O que fazer agora

  • Projeto de SPDA ainda não protocolado: refazer a análise de risco pela edição 2026, com o Ng da tabela nova e a frequência de dano.
  • SPDA existente: manter a inspeção periódica. Reforma ou ampliação segue a edição 2026.
  • Laudo que reprovou o aterramento só pelo valor de resistência: rever pelo critério de continuidade.
  • Edificação com equipamento crítico ou sensível: calcular a frequência de dano e conferir os DPS.
  • Análise de risco feita em software ou planilha: conferir se a ferramenta já usa a edição 2026.

Perguntas Frequentes

Quando a NBR 5419:2026 passou a ser obrigatória?

A nova edição foi publicada pela ABNT em 10 de março de 2026, com versão corrigida em abril. Projetos protocolados no órgão licenciador antes da publicação ou nos 180 dias seguintes seguem a edição de 2015. Desde 2 de outubro de 2026, projeto novo segue a edição 2026.

Prédio com SPDA feito pela NBR 5419:2015 precisa ser refeito?

Não por causa da nova edição. O sistema existente continua sendo inspecionado, e o laudo registra por qual edição ele foi projetado. Reforma, ampliação e mudança de uso seguem a edição 2026.

A NBR 5419:2026 ainda exige medição de resistência de aterramento?

Não para verificar a eficácia do SPDA. A norma diz que essa medição não é necessária para isso, e o valor de cerca de 10 Ω deixou de ser critério de aprovação. O que se verifica é a continuidade elétrica entre captação, descidas, aterramento e ligações equipotenciais.

O que é a frequência de dano (F) da NBR 5419:2026?

É o número esperado, por ano, de falhas dos sistemas internos causadas por descargas atmosféricas. Ela substitui o risco de perda de serviço ao público (R2) na decisão. O limite é 0,1 por ano para equipamento crítico e 1 por ano para os demais; acima disso, a norma pede medidas de proteção contra surtos.

De quanto em quanto tempo o SPDA deve ser inspecionado?

Pela edição 2026, a inspeção completa é anual em estruturas com áreas classificadas, explosivos ou substâncias tóxicas, atmosfera corrosiva severa e em fornecedores de serviços essenciais, e a cada três anos nas demais. O SPDA também precisa ter um plano de inspeção e manutenção documentado.

Resumo preparado pela IFELL a partir da ABNT NBR 5419:2026 (partes 1 a 4, publicada em 10/03/2026, com versão corrigida em abril de 2026) e das publicações da revista O Setor Elétrico sobre a revisão: publicação da norma, o que mudou e regra de transição. Não substitui a leitura da norma.

Precisa do laudo ou do projeto do SPDA pela edição 2026?

A IFELL faz a análise de risco, o projeto, a inspeção e o laudo de SPDA, com ART.

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