Estudo de Proteção e Memorial de Ajuste para a Enel SP
Para ligar, ampliar ou reformar uma cabine primária na área da Enel São Paulo, o projeto precisa levar o memorial de ajuste da proteção geral e o estudo de coordenação com a proteção da Enel. A IFELL faz o estudo, o memorial e o coordenograma, com ART.
O que a Enel exige
A especificação técnica 0004 da Enel, "Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Primária de Distribuição até 34,5 kV" (código GRI-EDBR-CNC-GRI-0004 / CNC-NDBR-DBR-20-0942-EDBR, versão 5, de 20/12/2024), lista os documentos do projeto da cabine. Um deles é o memorial de ajuste da proteção geral, incluindo, no caso de proteção por disjuntor e relé, o estudo de coordenação da proteção geral com a proteção a montante (item 7.16, alínea f).
A exigência não termina na ligação. Pelo item 7.12.1, a Enel pode pedir o memorial de ajuste a qualquer momento, e é responsabilidade do consumidor ajustar as proteções quando ela solicitar.
Quando o estudo é necessário
- Ligação nova em média tensão, até 34,5 kV.
- Alteração de carga, reforma ou ampliação da unidade consumidora, que voltam para análise da Enel (item 7.16).
- Troca de transformador, relé ou disjuntor da proteção geral.
- Pedido da Enel para apresentar ou revisar os ajustes (item 7.12.1).
- Usina de minigeração acima de 75 kW: a ET 0005 da Enel tem um anexo próprio com o roteiro do estudo e do projeto da proteção (Anexo G).
- Entrada em 88 ou 138 kV: a especificação CNC-OMBR-MAT-20-0949-EDSP pede estudo de proteção com curto-circuito, seletividade e saturação do TC, a partir das correntes de curto que a Enel calcula para o ponto de entrega (item 7.8.4).
Funções de proteção e critérios de ajuste
A Tabela 10 da ET 0004 define as funções do relé da proteção geral: sobrecorrente instantânea e temporizada (50 e 51) de fase e de neutro, subtensão (27), sequência de fase (47), sobretensão (59), religamento (79) quando aplicável e auxiliar de bloqueio (86). Depois de um desligamento por falta de tensão, o fechamento do disjuntor deve ser retardado em pelo menos dois minutos após o retorno da rede.
O Anexo 22 traz os critérios de ajuste das funções de tensão: subtensão em 0,9 e sobretensão em 1,1 vez a tensão de operação no ponto de conexão, valor que a Enel informa no processo de atendimento. As temporizações dependem do tipo de rede, e ajustar a subtensão abaixo delas exige disjuntor motorizado e religamento automático (79). Ajustes adicionais são informados pela Enel durante a análise.
O que a IFELL entrega
- Estudo de curto-circuito no ponto de entrega e no barramento de baixa tensão.
- Memorial de ajuste com a tabela de ajustes das funções 50/51, 50N/51N, 27, 47 e 59.
- Coordenograma com a proteção da Enel a montante, o relé da cabine e o disjuntor geral de baixa tensão.
- Verificação dos transformadores de corrente quanto à saturação na corrente de curto.
- ART do estudo e apoio nas exigências da Enel durante a análise do projeto.
Dados necessários
- Diagrama unifilar da entrada e da cabine.
- Transformadores: potência, tensões e impedância (placa ou relatório de ensaio).
- Relé da proteção geral (fabricante e modelo), transformadores de corrente (relação e classe) e disjuntor.
- Disjuntor geral de baixa tensão e cargas principais, em especial motores de maior porte.
- Dados da rede no ponto de conexão informados pela Enel: tensão de operação, nível de curto-circuito e ajustes da proteção a montante.
Validade do projeto
O projeto liberado pela Enel vale por 18 meses, e a solicitação de conexão deve ser feita dentro desse prazo; depois dele, volta para análise. Qualquer alteração na execução que diverja do projeto liberado precisa de nova liberação (item 7.16).
Outras distribuidoras de São Paulo
Na área da CPFL, o projeto de proteção das unidades do Grupo A também é aprovado pela distribuidora antes da vistoria. O estudo segue a mesma lógica: curto-circuito, ajustes e coordenograma com a proteção da distribuidora.
O mesmo estudo serve à nova NR-10
A nova redação da NR-10 (Portaria MTE nº 737/2026), em vigor a partir de 1º de junho de 2027, exige que o projeto considere o estudo de energia incidente e que as medidas contra arco elétrico sejam definidas a partir dele. Esse estudo usa as mesmas correntes de curto e os mesmos tempos de atuação da proteção levantados para a Enel. Veja o estudo de arco elétrico e energia incidente.
Perguntas Frequentes
A Enel exige estudo de proteção para cabine primária?
Sim. A especificação técnica 0004 da Enel (versão 5, de 20/12/2024) lista entre os documentos do projeto o memorial de ajuste da proteção geral, incluindo, quando a proteção é por disjuntor e relé, o estudo de coordenação com a proteção da Enel a montante (item 7.16, alínea f). O item 7.12.1 permite que a Enel peça esse memorial a qualquer momento.
Quando é preciso refazer o estudo de proteção?
Sempre que o projeto volta para a Enel: alteração de carga, reforma ou ampliação da unidade consumidora (item 7.16), troca de transformador, relé ou disjuntor, ou quando a Enel solicita novo ajuste. Toda alteração em relação ao projeto liberado precisa de nova liberação.
Quanto tempo vale o projeto liberado pela Enel?
18 meses após a liberação. A solicitação de conexão deve ser feita dentro desse prazo; depois dele, o projeto passa por nova análise.
Que funções de proteção o relé da cabine precisa ter?
A Tabela 10 da ET 0004 pede sobrecorrente instantânea e temporizada (50 e 51) de fase e de neutro, subtensão (27), sequência de fase (47), sobretensão (59), religamento (79) quando aplicável e relé auxiliar de bloqueio (86). O Anexo 22 traz os critérios de ajuste de 27 e 59.
Quem pode fazer o estudo de proteção para a Enel?
Profissional legalmente habilitado no conselho de classe, com o escopo descrito no documento de responsabilidade técnica (ART). Empresa que presta o serviço também precisa de registro no conselho. A IFELL é registrada no CREA-SP e emite ART em todos os estudos.
Vai ligar, ampliar ou reformar a cabine?
Envie o unifilar e os dados do relé e dos transformadores. A IFELL faz o estudo de proteção e o memorial de ajuste para a Enel, com ART.
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